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24 de setembro de 2013

De lua

Lua era apaixonada
Mas era sozinha
Vivia pedindo companhia
Olhava pro lado e via algumas estrelas brilhando, mas nenhuma a via
Um dia Lua de tanta tristeza foi deixando de aparecer
Não tinha mais o que fazer naquele lugar
Até que alguém sentiu sua falta
Uma das estrelas percebeu que Lua ali não mais estava.
Então disse a ela sobre a falta que fazia
E Lua voltou
Era mais bonito agora que não brilhava sozinha.

22 de agosto de 2013

Rosas e Punhais - A Peneira


Capítulo 2 – A Peneira

Rir daquelas piadas que ninguém além de vocês duas entende, ou fazer festa do pijama e ficar conversando até o sol nascer são coisas que amigas fazem. O ruim é que as pessoas mudam, as meninas crescem e muitas vezes as amigas se afastam. Por trabalho, estudos e outras obrigações do dia muita gente acaba saindo da nossa bolha.

Eu sempre fui muito apegada aos meus amigos, costumava fazer tudo que achava ser o melhor pra eles e me decepcionava caso não agissem da mesma forma comigo. Na verdade ainda sou um pouco assim. É um defeito meu, afinal não podemos firmar expectativas em cima das pessoas sobre como elas devem ou não se comportar.

Sinto que aos poucos essa questão está sendo trabalhada em mim. Sabe, todos nós em algum momento passamos por essa “peneira”. Peneirar as amizades, os amores, as atitudes, e etc. Tem hora que precisamos fazer esse limpa em nós mesmos pra filtrarmos certas coisas.

O processo é difícil, doloroso, como a maioria das mudanças são. Já me afastei de algumas pessoas e sinto que me afasto de outras aos poucos. Em compensação, entendo que pedi a Deus que me ajudasse a “peneirar” determinadas áreas da minha vida, e assim está sendo. Infelizmente nem todos os melhores amigos de antes estão comigo, e as noites de conversa mudaram de personagens. Mas tudo é aprendizado, e como estou feliz por sentir que estou crescendo (se é que estou mesmo) e mudando conceitos antigos e errados. Que venham as novas risadas e alegrias!



5 de agosto de 2013

Casa Limpa

É tão bom receber visita quando a casa está limpa!
Quando está bagunçado, mesmo que fale “não repare na bagunça”, claro que reparam.
É importante arrumar as coisas antes receber alguém.
Dá uma sensação boa quando encontramos tudo limpo, ficamos à vontade.
Ah, como é bom se sentir confortável!
Casa suja não atrai ninguém, pelo contrário.

Mas tem gente que chega na nossa casa de repente, e encontra tudo uma verdadeira zona.
Por isso é bom dar uma geral de vez em quando
Tirar o que não presta mais, aquilo que só junta poeira
É importante limpar as sujeiras antes de encontrar alguém.
Convidado ou não, a casa precisa estar apresentável pra quem aparecer.
Afinal, tem gente que chega de surpresa.

4 de junho de 2013

Que tal ser nada?

Ontem antes de dormir me veio uma ideia, mas como não a escrevi ela fugiu. Tinha o tempo e uma oferta, mas só me lembro dessas coisas. E com essas poucas lembranças faço meu texto, ou melhor, uma proposta. Aceita?


Que tal nós sermos nada?
Porque nada é nada pra sempre, é infinito.
E de coisas intermináveis o tempo trata muito bem
E então, vamos ser nada?
Pra nos perder no tempo e sermos também infinitos.




23 de maio de 2013

Triângulo Amoroso. A história sobre uma mulher, um homem e mais alguém.


Te prometo que tentarei fugir dos clichês das histórias de amor. Mas o que poderíamos dizer sobre o amor? É um verbo? Uma ação? Sentimento? Prazer? Bom, ouso dizer que seja uma mistura de todas essas coisas. É difícil escrever sobre amor quando não se está vivendo uma fase “romântica”. Mas não é por não termos ido a Disney que não conhecemos o Mickey, certo? E toda boa história merece ser contada.
Dito isso, vamos ao que interessa. Tinha essa mulher, cabelos loiros e olhos castanhos. E tinha esse homem, alto, moreno, cabelos lisos e pretos. O cara, podemos chamá-lo de “Não sei”, e mulher, nossa “Por quê” eram um casal feliz. Ou até a chegada da terceira personagem, conhecida como “Que tal”.
Não Sei era um cara divertido, inteligente, independente e aparentemente fiel. Um homem tem direito de continuar tendo uma vida social após o início de um namoro, eu sei. Na verdade é um dever! E seguindo esse mandamento Não Sei manteve o futebol todas as quintas com os amigos, as saídas para os barzinhos com o pessoal do escritório e algumas paquerinhas ao longo desses momentos de lazer, afinal ele estava comprometido e não cego. Já Por quê enxergava no namorado o verdadeiro e único amor pra vida toda. Fazia tudo para agradar o “benzinho” e até se afastou das amizades masculinas porque ele não gostava. Relação bem equilibrada né?
Em uma dessas saídas Não Sei conheceu Que Tal, uma mulher atraente, com um belo par de pernas, cabelos vermelhos e pele cor de porcelana. Ah, caro leitor, há de se imaginar que como todo homem ele se viu rapidamente atraído por aquele oásis parado na sua frente. O fato é que a partir daquele dia os dois começaram a conversar frequentemente. Porém deixemos claro que Por quê não sabia desse contato entre os dois.
Mas como todos aqui também sabem, intuição feminina é uma coisa que ataca a mente das mulheres e dificilmente está errada. E dadas as situações Por quê começou a desconfiar do benzinho, e quando menos esperava estava procurando no celular do moço alguma coisa que pudesse comprovar a traição. E aí entra o dilema da história, ela nunca encontrou nada. Mas a pulga continuava ali, fazendo-a pensar que o futebol ou a cerveja foram trocados por uma noite com a ruiva atraente. E nenhum relacionamento sobrevive à desconfiança. Ninguém aguenta o (a) namorado (a) ligando toda hora, suspeitando de tudo. Convenhamos, quando o namoro está chato qualquer par de pernas na grama do vizinho parece bem mais convidativo.
Em suma, o relacionamento se desgastou e acabou, como o fim de parte das histórias de amor. Mas uma coisa que Por quê nunca soube de verdade foi se Não Sei a havia traído de fato. Que tal nem foi afetada pela decisão do casal, a menos que essa hora esteja com o jovem galã. Ele sofreu um pouco, mas se sentiu aliviado por estar livre de um namoro sufocante. E ela, bom, ficou se perguntando se tinha errado em seu julgamento e perdido o homem da sua vida.
O que essa história nos ensina caros amigos? Ciúme sem fundamento é coisa de gente que procura o porquê de cada passo do outro. Sabe, gente paranoica cansa, mas gente sem atitude também. Ou você acha que nosso amigo Não Sei recebeu esse nome por acaso? Alguém que entra em um relacionamento e continua sem assumir um compromisso com o companheiro, sem saber o que quer, vai acabar sozinho também.
O resumo é esse: sempre existirá um (a) Que Tal por aí pra te fazer questionar por que não? E você, quem você vai ser nessa história?

10 de abril de 2013

Mandar e Desmandar


Em todo lugar tem alguém que acha que manda em tudo. Acha que é melhor que os outros, que é o mais descolado, mais interessante, o mais inteligente, mais legal. Infelizmente todos os lugares estão empesteados por esse tipo de gente, fazer o que né?
Mas aí, caro soberba de plantão, relembre ou conheça uma das frases de Aristóteles O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete”. Ou seja, antes de querer mandar e desmandar pense sobre qual papel está desempenhando, ignorante, sábio ou sensato.
Ninguém manda ou desmanda em nada. Existem caminhos e você pode influenciar alguém a escolher um específico. Obrigar? Ah, seria frustrante demais para um mandão descobrir que você por si só decidiu seu caminho. Os mandões gostam de achar que suas decisões foram, e serão sempre acatadas independente de qualquer coisa. Pode ser que pensem assim porque na verdade poucas pessoas brigam com mandões, afinal ninguém gosta de discutir com ignorantes.



25 de março de 2013

Entre tudo

Entre tanta gente
Entre tantos planos
Tanta felicidade.

Entre tanta publicidade
Entre tanta solidão
Tantos devaneios
E entre todos os amores
Esquecemos que somos sós.

Entre o passageiro e a eternidade
Na solidão resta-nos a realidade.

1 de março de 2013

Um outro olhar.

É claro que o preconceito existe, e eu diria que às vezes é maior por parte de nós mesmos que dos outros. Preconceito é criarmos uma opinião sobre um tema sem nem conhecê-lo como de fato ele é. Quando digo que em alguns casos somos nós mesmos os vilões de nossas vidas é porque as vezes não conhecemos a realidade de nossos próprios problemas e já os julgamos como insolúveis, impossíveis e simplesmente não procuramos nenhuma solução. Por que comecei dizendo essas coisas? Bem, vou lhe contar minha história e você entenderá.
Já dizia aquele velho ditado: “A grama do vizinho sempre parece mais verde”, e realmente a vida dos outros sempre pareceu melhor que a minha. Sofri um acidente de carro quando tinha 15 anos e devido a uma lesão medular fiquei paraplégico. Você pode imaginar que não foi nada fácil enfrentar minha adolescência preso em uma cadeira de rodas. Não namorava ninguém e nem saia de casa a não para escola (coisa que meus pais me obrigavam a fazer). Passei cinco anos me sentindo um peso para minha família, achando que seria melhor ter morrido a ficar deficiente.
Não vou te contar o que passei após o acidente, como eram terríveis as sessões de fisioterapia ou como foi achar que poderia voltar a andar e no fim descobrir que isso não passava de uma fantasia na minha cabeça. Não, não vou te contar de como fiz meus pais e amigos sofrerem porque só conseguia sentir pena de mim mesmo e como fui egoísta por achar que todos deviam fazer o mesmo. O ser humano tem a mania de se menosprezar em relação a quem quer que pareça viver melhor, e enquanto eu não parei de me sentir inferior ao resto do mundo não consegui seguir a diante. Sim, eu vou te contar como superei essa auto piedade e comecei e enxergar o quanto estava perdendo da vida enquanto permanecia preso com meu preconceito.
Quando tinha vinte anos assisti a uma reportagem que falava sobre o trabalho de umas artesãs no Nordeste. Achei aquelas mulheres fantásticas, muitas delas sustentavam a família inteira só com o dinheiro vindo do artesanato, e apesar das dificuldades financeiras que enfrentavam durante todo o documentário falaram apenas das coisas que já tinham conquistado graças ao artesanato, e não do que ainda faltava. Não sei por que aquela reportagem mexeu de uma forma diferente comigo, e passei a me questionar por que eu reclamava tanto dos meus problemas e não percebia o que de bom ainda me restava.
Decidi que mais histórias como a daquelas mulheres e tantas outras de exemplos de determinação deveriam ser mostradas às pessoas. Resolvi fazer faculdade de jornalismo e me dedicar a encontrar histórias que valessem a pena serem contadas. Comecei a produzir vários documentários até que um dia um colega de classe me perguntou por que não produzia minha própria história. Eu tinha passado a aceitar melhor minha condição física, porém ainda existiam muitas barreiras que faziam com que eu não me achasse digno de compartilhar meus sentimentos com o mundo. Por fim acabei sendo convencido a gravar o documentário e surpreendentemente eu tinha muito mais a dizer do que pensava.
Foram sete meses de produção contando o que eu tinha passado ao longo daqueles anos após o acidente e o que a paraplegia tinha feito comigo. Percebi que eu não devia me achar um coitado por estar naquela cadeira de rodas, um injustiçado que foi fadado a passar o resto da vida dependendo de um objeto pra se locomover. Eu tinha sido abençoado com a chance de reconstruir minha vida. Provavelmente eu não seria a mesma pessoa se não tivesse enfrentado todos aqueles obstáculos. Comecei a me enxergar como aquelas pessoas que entrevistei antes, como alguém que assim como todo mundo tem uma dificuldade e tenta superá-la.
A deficiência não deixou de me incomodar, e nem sei se isso acontecerá um dia. Mas o que antes eu via como um impedimento para viver hoje me faz questionar “Como posso trazer isso à minha vida?”. Eu entendi que por mais verde que seja a grama do meu vizinho ele nunca estará totalmente satisfeito com seu jardim. Achamos defeitos e reclamamos de tudo, contudo se aceitarmos que nada na vida é realmente perfeito quem sabe podemos parar de nos enganarmos e nos escondermos por trás de tantas máscaras. Afinal, todos nós temos boas histórias que merecem ser contadas.
Meu nome é Otávio, tenho 25 anos, sou jornalista e paraplégico. Minha deficiência é a última na minha apresentação, porque ela é a última que me impede de fazer qualquer coisa que eu queira. 


29 de novembro de 2012

Zigue-zague


Marina morava com Letícia, que sempre reclamava de tudo.
Letícia queria a casa amarela e Marina gostava mais de rosa, mas namorava Fernando que também detestava.
Fernando parou de visitar Marina, que de tanto ficar só começou a gostar de João, o vizinho.  
João gostava de Letícia, que só queria saber de trabalhar e não gostava de ninguém.
Fernando terminou com Marina, que foi morar com João, que esqueceu Letícia, que acabou sozinha por escolher demais.

1 de outubro de 2012

Incapacidade Masculina

- Isso é só pra você tá?
- Ta bom, mas anda logo!
- Calma, é difícil.
- Vai rápido!!
- Se você não parar de falar eu não me concentro.
- Ta... parei.

João! Maria! Cadê vocês?!

- Droga, ela ta vindo! Acho que descobriu tudo.
- Também né, você roubou a caixa inteira.
- Claro, você não faz nada direito. Podia precisar de muitos.

Meninos, venham aqui!!

- To quase lá... Droga, estourou.
- Eu sabia que você não ia conseguir fazer essa bola de chiclete!
- Desculpa Maria.
- Homens, tão inúteis as vezes!


10 de setembro de 2012

Dose Única


Marcaram um encontro e esperaram o fim do jantar quando os dois estavam um pouco alterados por causa da bebida para finalmente conversarem. Ela, como sempre, demonstrava timidez e um pouco de insegurança. Ele, ao contrário, era sempre muito falante e rapidinho conseguia comandar o ritmo da conversa. Ela decidida a fazer diferente naquela noite, antes que ele percebesse começou a se despir. Ele, chocado parecia não acreditar que ela sempre tão distante tivesse tanto guardado. E então ela deu início ao longo e delicado ritual.
 Primeiro, tirou a timidez, essa decidiu deixar em casa caso contrário não sairia um palavra sequer da sua boca. Feito isso, começou a falar, e pela primeira vez estava ditando o ritmo e se sentia maravilhosa por isso. O que ela disse? “Farei isso uma única vez, e espero que preste muita atenção.” Ele com os olhos fixos no dela, abriu a boca e num súbito momento ela o puxou para perto de si e disse: “Hoje é a minha vez.”
Depois da timidez, tirou o medo e junto com ele o orgulho. "Hoje, pela primeira vez, estou confessando isso a você. Não espero que me retribua, ou que diga que sente o mesmo apenas por reflexo. Depois de muito protestar internamente, hoje eu assumo que gosto de você. Não o gostar do tipo podemos conviver juntos, gosto do jeito de que quando estou limpando a casa eu me pego pensando em você." Mais uma vez ele tentou falar e novamente ela o interrompeu: "Por favor, deixe que eu termine." Ele assentiu com a cabeça e ela continuou.
A terceira coisa a tirar foi o pudor. Nesse ela demorou mais pouco, parou, respirou fundo e o desabotoou. E mais uma vez falou: "Desejo cada parte de você, mas hoje não vim aqui para tê-lo. Quero apenas que saiba o que sinto, e se sente o mesmo, ótimo. Se não, não me arrependerei jamais de ter dito. Espero que saiba que de alguma forma, juntos ou separados eu me importo com você”.
Por fim, ela estava nua, e quando terminou de falar se reaproximou dele e com um leve toque em seus lábios se despediu. Ele anestesiado correspondeu ao doce e beijo e perguntou: "Posso falar agora?" Ela, demostrando uma expressão calma e segura discordou e disse: "Hoje eu me entreguei a você, e quero que pense apenas". Ela saiu fechando a porta do quarto.
Ele suspirou e disse para si mesmo: "Uma ótima dose."



30 de agosto de 2012

Sofá Vermelho

Eu, Luiz, no auge dos meus 29 anos nunca tive uma grande mudança na minha vida. Moro no mesmo apartamento há oito anos e sequer mudei os móveis de lugar. Completo 30 anos daqui a duas semanas e percebi que não fiz nada de importante até hoje. Sempre me considerei um cara tranquilo. Quer dizer, não fumo, bebo só em ocasiões especiais e nunca matei ou impedi alguém de fazer qualquer coisa. Sou praticamente invisível.
Não tenho um emprego decente, nem uma namorada e ainda por cima meu sofá é horrível. Um homem precisa de um sofá confortável para passar suas tardes entediantes de domingo assistindo aos jogos de futebol na TV. Mas apesar de não conseguir um novo emprego ou a mulher dos meus sonhos, ainda posso comprar um novo sofá. E foi isso que decidi fazer quando acordei naquele sábado. A semana tinha sido horrível, queria que meu chefe e todos daquela empresa morressem. Além disso, no dia seguinte o São Paulo jogaria e eu me recusava a assistir outros jogos naquele sofá horrendo. Não aguentaria mais uma derrota do time e nem aquele troço que ocupava espaço na minha sala.
Sai de casa e entrei na primeira loja de móveis que vi decido a escolher o novo sofá o mais rápido possível. O vendedor me mostrou um sofá vermelho com três lugares e estofado de couro. O que me chamou a atenção naquele sofá não foi só a maravilhosa sensação que tive quando sentei nele, mas sua cor. Sabe, como bom São Paulino que sou, o vermelho está entre uma das minhas cores preferidas, se é que posso dizer isso. Mas aquele vermelho cor de sangue me impressionou e em menos de meia hora já tinha comprado aquele móvel confortabilíssimo.
Quando o tão esperado sofá chegou o entregador começou a me fazer algumas perguntas estranhas querendo saber o porquê de ter comprado aquele modelo.
- O senhor sabe que esse é um modelo limitado, não sabe? – perguntou o entregador
- Bem, não sabia até agora.
- Só foram feitos dois modelos desse sofá na cor vermelha. Infelizmente o outro cliente faleceu duas semanas depois da compra.
- Nossa! Daqui duas semanas completo 30 anos e espero não receber a morte como um presente de aniversário.
- Sabe, o senhor me parece um bom homem. Talvez seja melhor eu lhe contar uma breve história e então quem sabe o senhor não desiste de ter o sofá.
- Pouco provável. Mas pode falar.
Foi ai que o misterioso entregador me contou que ele na verdade não era entregador coisa nenhuma. O cara foi casado durante dez anos e um dia encontrou sua mulher o traindo no sofá de casa com um colega de trabalho. Decidido a acabar com a vergonha que sentia, ele matou a mulher e o amante e decidiu fazer dois sofás em homenagem ao casal. Um com três lugares (o meu) e outro com dois. A explicação para o vermelho cor de sangue, bem era sague mesmo. Ele pegou o sangue da mulher e do amante e “tingiu” o tecido do estofado. De acordo com ele, o sofá que comprei era tingido com o sangue da mulher que sempre preferiu o com mais lugares.
Explicado o assassinato, ele contou que decidiu matar quem comprasse os sofás porque ninguém merecia estar na presença da ex-mulher ou do amante. Que o comprador da outra metade do sofá lutara um pouco por sua vida, mas que no fim acabou morrendo e o sofá foi queimado.
- Eu espero que o senhor entenda minha necessidade de acabar com isso, Sr. Luiz.
- Na verdade não entendo, mas também não o julgo – A esse ponto já estava tremendo e pensando em chamar a polícia.
- Agora que o senhor conhece a história do sofá não posso deixar que viva. Não ao lado de Magda. – Magda devia ser a esposa. – O senhor já amou, sabe o que quero dizer.
Quando ele me disse isso senti muita pena de mim mesmo. Tudo bem que o cara é um assassino, mas ele realmente amava sua mulher. A amou a tal ponto de não conseguir se imaginar sem ela. Por um momento senti que a minha vida até então inútil poderia servir para alguma coisa. Eu podia libertar aquele homem de sua dor e deixá-lo viver apenas com as boas lembranças dos momentos entre ele e Magda.
- Não converso com minha família e nunca amei de verdade – respondi friamente.
- Então o senhor não tem nada a perder. Por favor, deixe-me matá-lo e lhe garanto que Magda será livre finalmente.
São Paulo perdeu. Odeio meu chefe.
- Aposto que ninguém que eu conheço morreu por um sofá. Não antes dos trinta pelo menos.
- Estou ficando impaciente Sr. Luiz.
- Ok. Liberte Magda e queime este sofá.
Assim, eu, Luiz de 29 anos passei de um cara sem graça a alguém que libertou um homem de um amor. Quem diria que um sofá mudaria tanta coisa.


7 de agosto de 2012

Leitura Rápida

Querido Nicolas,
Comecei a viajar enquanto lia as páginas do seu livro. Folhei com cuidado pra não perder nenhum detalhe. Era muito importante saber o que você pensava. Confesso que bateu uma insatisfação por não conseguir decifrar as entrelinhas naquelas palavras, mas tive também certo um prazer por saber que em cada capítulo tinha um pedaço meu
Sinto lhe informar que não foi por você que cheguei aonde estou, mas graças a você fiz coisas que nunca pensei em fazer. Sou como sou porque andei por aqueles caminhos, porque vi as coisas que vi, e porque hoje li você.


28 de julho de 2012

Trânsito

Rua cheia e ele está parado do outro lado.
Aceno e então espero que os carros parem e eu possa passar.
Ninguém para. Espero até que o sinal feche.
Atravesso.
Tarde demais, nos desencontramos.


25 de julho de 2012

Resumo

Muita vontade, poucas palavras e quase nenhuma ação.



19 de julho de 2012

A Vizinha

Ah, minha vizinha. Vocês deviam conhecê-la! Cabelos longos, olhos castanhos, corpo escultural. Olha, poucos tem uma vizinha assim, mas infelizmente quase não nos falamos. Pele clara cor de porcelana, jeito de menina sensível mas com atitude de mulher. Eita vizinha! Sorte dela, ou minha, que não nos conhecemos melhor. Já parei de contar quantas noites fiquei espiando ela da janela, esperando que chegasse em casa só pra poder olhar como ela estava naquele dia. Sorte de quem a conhece. 
Eu posso até ficar quietinho, mas posso reivindicar sua atenção também. Poxa vizinha, olha pro outro lado da rua só uma vez! Deixa eu amassar essa sua roupa de moça, olhar nesses seus olhos devoradores, me encaixar nesse seu corpo. Você vai gostar do clima, você pode até se apaixonar. Fala só seu nome e o resto a gente descobre junto. Sei onde posso te encontrar, agora só olha pro lado e você também me encontra. 



18 de julho de 2012

Prisões

Estamos presos, condenados.
Tentei te desenhar e até sonhei com você
Nossos nomes foram separados e depois unidos
Estamos dançando em círculos e nem percebemos
Não é um conto de uma página
Não é um momento bobo
Estamos acorrentados
Mas ainda temos algum tempo
Há espaço suficiente pra dois
Estamos juntos e isso me acalma
Ainda julgamos nossos atos, é complicado
Alguns tropeços e confusões
O que fizemos?
Não ganhei nada pra entrar no jogo
Estamos presos um ao outro.
Olha com carinho pra gente, desenha isso tudo
Junte nossos nomes.
Me julguei, analisei demais
Estamos finalmente a sós nesse espaço
Um brinde ao tempo, que nos uniu e nos prendeu
Um brinde à nossa prisão, ao romance e ao tempo.



12 de julho de 2012

Bola de sorvete

Saboroso
Muito ou pouco
Frequente ou mais raro
Opiniões claras porque o meio termo é mais difícil de encontrar
Tem gente que aumenta a dose, outros preferem controlar
Mas no final a gente se pega torcendo pra que não acabe
Quer repetir mas nem sempre pode
Coisa de criança
E se me oferecerem mais eu aceito.
Repetir mil vezes sem sofrer danos colaterais
Mais uma colher e eu já paro
Delicioso.



SOULSTRIPPER - Não trocaria um sorvete de flocos por você




9 de julho de 2012

Encantada

Só estou com vontade de escrever
Nem sei se tenho um assunto, se alguma coisa me chama a atenção agora
Queria mesmo escrever sobre você.
Mas você não existe mais, e então escreverei sobre outra coisa.
Nem sei como acontecem as etapas, mas imagino que seja assim:
Você começa, as ideias surgem até que você se cansa ou elas acabam, e por fim você termina o texto.
Escrever sobre o outro..
Acho que seria mais fácil escrever sobre mim. Mas nesse caso não haveria o que escrever.
É mais ou menos isso: Tudo o que posso dizer é que foi encantador conhecê-lo e me pergunto se foi assim também com você.
Acho que me atrapalhei quando tentei dizer tanta coisa
A verdade é que estou encantada com você e era apenas sobre isso que eu queria escrever.




3 de julho de 2012

Ciclo do medo

Tenho medo de fracassar
De não corresponder as expectativas.
Penso, e quando penso demais posso me esquecer de parar de pensar.
Pedi tanto pra que isso acontecesse que agora tenho vergonha de dizer que não sei se quero
Tenho medo de não ser capaz
De não ser feliz
No tempo certo as coisas acontecem, eu sei.
Mas em algum momento elas também deixam de ser novidades e viram apenas rotina.
Rotina cansa e estressa
Rotina é inimiga da inovação
Arrisque-se mais!, eu penso
Sento na minha cadeira e penso outra vez
Penso no medo e como posso superá-lo
Porque medo é assim mesmo, todo mundo sente.
Mas e se todo mundo desistisse por que sentiu medo?
Quantas coisas poderia fazer se não tivesse medo de nada?