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5 de agosto de 2013

Casa Limpa

É tão bom receber visita quando a casa está limpa!
Quando está bagunçado, mesmo que fale “não repare na bagunça”, claro que reparam.
É importante arrumar as coisas antes receber alguém.
Dá uma sensação boa quando encontramos tudo limpo, ficamos à vontade.
Ah, como é bom se sentir confortável!
Casa suja não atrai ninguém, pelo contrário.

Mas tem gente que chega na nossa casa de repente, e encontra tudo uma verdadeira zona.
Por isso é bom dar uma geral de vez em quando
Tirar o que não presta mais, aquilo que só junta poeira
É importante limpar as sujeiras antes de encontrar alguém.
Convidado ou não, a casa precisa estar apresentável pra quem aparecer.
Afinal, tem gente que chega de surpresa.

26 de junho de 2013

Um atalho leva a outro

Antônio se viu entre duas situações, mudar de casa ou acordar mais cedo. Acontece que fecharam o atalho que ele pegava para ir ao trabalho, e sem a ajudinha de todos os dias levaria mais de duas horas pra chegar. Como ele morava de aluguel não viu problema nenhum em morar em outro lugar, mas os apartamentos daquele lado da cidade custavam o triplo. Em compensação ele poderia dormir duas horas a mais que se permanecesse na mesma casa.

O que Antônio fez? Pediu demissão. Ele nem recebia muito mesmo. Arrumaria outro emprego que não exigisse tanto, manteria seu apartamento barato e sua vida fácil. 

10 de abril de 2013

Mandar e Desmandar


Em todo lugar tem alguém que acha que manda em tudo. Acha que é melhor que os outros, que é o mais descolado, mais interessante, o mais inteligente, mais legal. Infelizmente todos os lugares estão empesteados por esse tipo de gente, fazer o que né?
Mas aí, caro soberba de plantão, relembre ou conheça uma das frases de Aristóteles O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete”. Ou seja, antes de querer mandar e desmandar pense sobre qual papel está desempenhando, ignorante, sábio ou sensato.
Ninguém manda ou desmanda em nada. Existem caminhos e você pode influenciar alguém a escolher um específico. Obrigar? Ah, seria frustrante demais para um mandão descobrir que você por si só decidiu seu caminho. Os mandões gostam de achar que suas decisões foram, e serão sempre acatadas independente de qualquer coisa. Pode ser que pensem assim porque na verdade poucas pessoas brigam com mandões, afinal ninguém gosta de discutir com ignorantes.



26 de janeiro de 2013

Jeitinho Brasileiro


- Óh, esse aqui é o autografado. Custam só cem reais, mas como o senhor é gente boa a gente fecha em cinquenta.
- Mas aqui diz que foi fabricado na China, com validade até 2000. Isso não faz sentido.
- O Senhor por acaso tá dizendo que minhas mercadorias são fajutas? Assim o senhor me ofende.
- Mas é que não é possível.
- Veja bem, o senhor não queria um carrinho de fórmula 1 assinado pelo Senna pra dar pro seu filho? Pois bem, esse foi o que arrumei. O moleque vai fazer quantos anos mesmo?
- Nove.
- Pois então, o garoto nem tinha nascido quando o cara morreu. Tô fazendo um preço bom pro senhor, aproveita.
- Tá bom, mas só se o capacete vier junto, e autografado também.
- Pra autografar aumenta vinte e cinco reais.

29 de novembro de 2012

Zigue-zague


Marina morava com Letícia, que sempre reclamava de tudo.
Letícia queria a casa amarela e Marina gostava mais de rosa, mas namorava Fernando que também detestava.
Fernando parou de visitar Marina, que de tanto ficar só começou a gostar de João, o vizinho.  
João gostava de Letícia, que só queria saber de trabalhar e não gostava de ninguém.
Fernando terminou com Marina, que foi morar com João, que esqueceu Letícia, que acabou sozinha por escolher demais.

30 de agosto de 2012

Sofá Vermelho

Eu, Luiz, no auge dos meus 29 anos nunca tive uma grande mudança na minha vida. Moro no mesmo apartamento há oito anos e sequer mudei os móveis de lugar. Completo 30 anos daqui a duas semanas e percebi que não fiz nada de importante até hoje. Sempre me considerei um cara tranquilo. Quer dizer, não fumo, bebo só em ocasiões especiais e nunca matei ou impedi alguém de fazer qualquer coisa. Sou praticamente invisível.
Não tenho um emprego decente, nem uma namorada e ainda por cima meu sofá é horrível. Um homem precisa de um sofá confortável para passar suas tardes entediantes de domingo assistindo aos jogos de futebol na TV. Mas apesar de não conseguir um novo emprego ou a mulher dos meus sonhos, ainda posso comprar um novo sofá. E foi isso que decidi fazer quando acordei naquele sábado. A semana tinha sido horrível, queria que meu chefe e todos daquela empresa morressem. Além disso, no dia seguinte o São Paulo jogaria e eu me recusava a assistir outros jogos naquele sofá horrendo. Não aguentaria mais uma derrota do time e nem aquele troço que ocupava espaço na minha sala.
Sai de casa e entrei na primeira loja de móveis que vi decido a escolher o novo sofá o mais rápido possível. O vendedor me mostrou um sofá vermelho com três lugares e estofado de couro. O que me chamou a atenção naquele sofá não foi só a maravilhosa sensação que tive quando sentei nele, mas sua cor. Sabe, como bom São Paulino que sou, o vermelho está entre uma das minhas cores preferidas, se é que posso dizer isso. Mas aquele vermelho cor de sangue me impressionou e em menos de meia hora já tinha comprado aquele móvel confortabilíssimo.
Quando o tão esperado sofá chegou o entregador começou a me fazer algumas perguntas estranhas querendo saber o porquê de ter comprado aquele modelo.
- O senhor sabe que esse é um modelo limitado, não sabe? – perguntou o entregador
- Bem, não sabia até agora.
- Só foram feitos dois modelos desse sofá na cor vermelha. Infelizmente o outro cliente faleceu duas semanas depois da compra.
- Nossa! Daqui duas semanas completo 30 anos e espero não receber a morte como um presente de aniversário.
- Sabe, o senhor me parece um bom homem. Talvez seja melhor eu lhe contar uma breve história e então quem sabe o senhor não desiste de ter o sofá.
- Pouco provável. Mas pode falar.
Foi ai que o misterioso entregador me contou que ele na verdade não era entregador coisa nenhuma. O cara foi casado durante dez anos e um dia encontrou sua mulher o traindo no sofá de casa com um colega de trabalho. Decidido a acabar com a vergonha que sentia, ele matou a mulher e o amante e decidiu fazer dois sofás em homenagem ao casal. Um com três lugares (o meu) e outro com dois. A explicação para o vermelho cor de sangue, bem era sague mesmo. Ele pegou o sangue da mulher e do amante e “tingiu” o tecido do estofado. De acordo com ele, o sofá que comprei era tingido com o sangue da mulher que sempre preferiu o com mais lugares.
Explicado o assassinato, ele contou que decidiu matar quem comprasse os sofás porque ninguém merecia estar na presença da ex-mulher ou do amante. Que o comprador da outra metade do sofá lutara um pouco por sua vida, mas que no fim acabou morrendo e o sofá foi queimado.
- Eu espero que o senhor entenda minha necessidade de acabar com isso, Sr. Luiz.
- Na verdade não entendo, mas também não o julgo – A esse ponto já estava tremendo e pensando em chamar a polícia.
- Agora que o senhor conhece a história do sofá não posso deixar que viva. Não ao lado de Magda. – Magda devia ser a esposa. – O senhor já amou, sabe o que quero dizer.
Quando ele me disse isso senti muita pena de mim mesmo. Tudo bem que o cara é um assassino, mas ele realmente amava sua mulher. A amou a tal ponto de não conseguir se imaginar sem ela. Por um momento senti que a minha vida até então inútil poderia servir para alguma coisa. Eu podia libertar aquele homem de sua dor e deixá-lo viver apenas com as boas lembranças dos momentos entre ele e Magda.
- Não converso com minha família e nunca amei de verdade – respondi friamente.
- Então o senhor não tem nada a perder. Por favor, deixe-me matá-lo e lhe garanto que Magda será livre finalmente.
São Paulo perdeu. Odeio meu chefe.
- Aposto que ninguém que eu conheço morreu por um sofá. Não antes dos trinta pelo menos.
- Estou ficando impaciente Sr. Luiz.
- Ok. Liberte Magda e queime este sofá.
Assim, eu, Luiz de 29 anos passei de um cara sem graça a alguém que libertou um homem de um amor. Quem diria que um sofá mudaria tanta coisa.


28 de julho de 2012

Trânsito

Rua cheia e ele está parado do outro lado.
Aceno e então espero que os carros parem e eu possa passar.
Ninguém para. Espero até que o sinal feche.
Atravesso.
Tarde demais, nos desencontramos.